Introdução
Bastou uma propaganda da Havaianas com a Fernanda Torres dizendo que não quer que você comece 2026 “com o pé direito” — e pronto, o circo incendiou, com mais um espetáculo de imbecilização coletiva. Gente da direita “patriota” jogando sandália no lixo, influencers gravando vídeos de boicote, deputados surfando o teatro indignado como sempre.
Doutro lado, os lacradores de sempre dizendo que é só “brincadeira”. Os dois lados certos de um teatro de palhaçadas. E como quase sempre acontece no Brasil, ninguém entende nada.
Não é só uma propaganda
Quando uma propaganda nacional, veiculada por uma marca que atende milhões de brasileiros, usa uma figura conhecida da cultura de esquerda — e fala de 2026, ano eleitoral — com uma frase que nega um símbolo tradicional da cultura popular (“começar com o pé direito”)… isso não é inocente. Isso é reengenharia simbólica.
A linguagem da publicidade atua no inconsciente coletivo. Quando ela inverte o sentido de um símbolo — ainda que com humor —, ela está ressignificando a cultura pela via do entretenimento.
A frase “não quero que você comece com o pé direito” não é só um trocadilho. É uma inversão. É um gesto simbólico de desobediência à tradição, ao bom senso, ao símbolo coletivo da esperança. É “cool” começar diferente. É “livre” inverter o sinal.
Essa é a marca da esquerda cultural: transformar a cultura em brinquedo, e o brinquedo em catecismo.
O boicote também é ridículo
Dito isso, a reação da “direita” não é menos cômica: vídeos de gente descartando chinelo, fazendo “review” de concorrentes, chorando pela “traição do pé” — como se a salvação do Brasil estivesse na sola da Ipanema.
Isso é guerra cultural? Não. Isso é teatrinho tribal. É gente sem formação, sem imaginação, sem hierarquia de valores — reagindo emocionalmente. Como não têm cultura, reagem com performance. Como não têm símbolos, reagem com grito. Como não têm intelecto, reagem com slogan.
O problema não está no fato de reagir, mas no “como”.
A verdadeira guerra cultural é formação, não gritaria
Guerra cultural não é campanha de consumo. É a disputa pela alma de uma civilização. É a defesa de símbolos verdadeiros. É a criação de cultura com raiz, com densidade, com forma e com beleza. É recuperar o sentido original de palavras, gestos, rituais, votos etc. É devolver ao “pé direito” o que ele significa: começar com sentido, com direção, com o favor de Deus.
A verdadeira guerra cultural não se vence boicotando sandália, mas ensinando o povo a reconhecer o valor dos símbolos que carrega sem saber.
Se você acha que reagir à inversão simbólica é necessário, então faça melhor do que um vídeo de descarte. Estude, explique, ensine, escreva, fale. E se for pra descartar alguma coisa, descarte a burrice, com a luz da verdade.
Lucidez em vez de histeria e indiferença
Você não é obrigado a boicotar nada. Mas também não ache que é “só uma propaganda”. Você não é obrigado a virar um “soldado da cultura”, mas se se diz de direita, ou cristão, ou conservador, ou apenas sensato — então pelo menos não caia em armadilhas de marketing e da militância, como se fossem coisas separadas.
O Brasil precisa de cultura, de símbolos restaurados, de homens com imaginação, não só com indignação.
E, se quiser mesmo começar 2026 com o pé direito, faça o que o povo fazia antes de ser idiotizado: reze, pense, planeje, trabalhe, estude, porque a vitória — cultural, moral, espiritual — só vem com os dois pés no chão e os olhos no alto.